A VELHA E INSONSA “ANÁLISE” POLÍTICA SOBRE GOVERNOS DE ORIGEM MAIS POPULAR: PERSONALISMO, BACHARELISMO E SILOGISMOS DA PSEUDO-ELITE

A mídia, em seus vários meios, ainda permanece sob o manto de grandes empresas e grupos econômicos. Todos sabemos disso. Logo seus interesses políticos são claros: conseguir de todas as formas abalar qualquer candidato que não seja o representante de seu grupo ou que não se alinhe ao seu status quo de classe “dominante”.

Às vésperas de qualquer campanha é sempre assim: começa um arsenal de despersonalização, desmoralização, de táticas típicas de “golpismos” sustentados por e-mails, textos pseudo-análiticos como os muitos que correm por aí. É o caso que assola candidatos/as como Dilma.

De tudo um pouco (das mais estranhas até as mais cômicas besteiras) aparece e vai aparecer: comunista que come criancinha; mulher é muito sensível, então não tem pulso firme pra administrar um país; ou ela nunca se elegeu (o Maluf sempre se elegeu, assim é credenciadíssimo a partir desse critério… rs); foi guerrilheira (nossa que absurdo!!! Engraçado, muitas pessoas que sustentam essa “análise” baseada em palavras do senso comum – guerrilha como forma de algo muito ruim – pagaram ou mandaram seus filhos para escolas e para professores que viviam nos ensinando nas mesmas escolas, universidades, com documentários, livros científicos que a guerrilha em estado de exceção é uma forma legítima de combate a governos totalitários, sejam de esquerda ou de direita. E que graças a diversas ações em muitos níveis do que se diz “guerrilha”, podemos agora expor nossas ideias, inclusive as mais absurdas e preconceituosas. E essas mesmas pessoas nunca foram para as escolas brigar com os/as diretores/as e professores nem queimar livros em praça pública, mesmo os católicos mais fervorosos talvez tentando relembrar e reviver o passado da Inquisição de alhures da Santa Madre Igreja Católica!), ou mesmo que Dilma não fez curso disso ou daquilo, não tem diploma ou certificado de pós aqui ou acolá, como se este fosse o divisor de águas para afirmar se uma pessoa é ou não “melhor ou mais preparada”. Desses exemplos diplomados já os tivemos e não foi lá muito bom: Collor e FHC só pra não exagerar.

Mas esquecem os paladinos da educação associada à capacidade política de que Dilma – ou mesmo Marina – tem formação. Enfim… A observação do brasileiro é uma caixinha de surpresa.

O mais grave é o preconceito sustentado pelo apego às regras do Direito pré-coimbrão, positivista, funcionalista, pela classificação de quadros políticos a partir de uma tradição do bacharelismo que ainda persiste entre aqueles que se autossituam como esclarecidos. Mas esse cancro cultural não é de hoje. Muitos já narraram ou falaram sobre ele. Situo a análise de Sérgio Buarque de Holanda como aquela que talvez melhor dê conta desse entendimento do personalismo e do bacharelismo de um país ainda de coroneis simbólicos – senão no material, mas que seja na alma, e da tibieza da força de argumentos de uma classe dominante coxa.

Argumentos que tentam arrebentar com a índole das pessoas porque participaram de lutas a favor da democracia são facilmente rebatidos ante qualquer pessoa com um mínimo de inteligência, leitura e bom senso. A sugestão de vídeo que segue do massacre que Dilma faz em relação a José Agripino Maia, um desses filhotes da Ditadura que ainda persistem na democracia brasileira e que o DEM configura como uma das suas principais moradas, é autoexplicativo. Ela mesma responde e aí vemos que nossos professores de antes não estavam errados ao nos mostrarem a importância da luta política sobretudo nos idos dos 60 e 70 (Anos de Chumbo, né?). E o pior que até o paladino do conservadorismo e da elite mais nojenta possível, Jô Soares, em um surto de algum bom senso, se rende a Dilma, ou melhor, às múltiplas inteligências e argumentação de uma mulher politizada, mas sem diploma em universidades estrangeiras, e mesmo assim ‘vendida’ como alguém que não tem preparo. Chega a ser cômica a capacidade de persuasão de discursos como esses.

Não seja por isso. Pelos critérios da elite, de seu discreto charme intelectual e de argumentos, conheço um grupo grande de pessoas, amigos e colegas que têm diplomas no “estrangeiro” e podem, então, ser um/a candidato/a a presidente. Se brincar até eu mesmo, pois tenho meus certificadozinhos de um ou outro lugar bem longe daqui. Assim, eu posso ser qualquer coisa, pois meu passado e presente bacharelescos, segundo a tibieza dos critérios da elite (num arroubo darwinista social), me credenciariam…

O escritor Marcelo Rubens Paiva, que teve o pai arrebentado pela ditadura, nos mostra em um de seus romances/ficção/realidade/história a importância de fatos históricos que a classe dominante pseudo-intelectual que se utiliza da mídia gorda tenta descaracterizar. Não custa ler, né? Ou será que custa?

Mas se alguém quiser de fato entender ações de milhares de pessoas que lutaram (e lutam) em toda a Latinoamérica pela volta e consolidação da democracia e entender que não se trata de “desvio moral” a realidade daqueles que deram a cara a tapa e pra morte por entrarem na luta armada contra a ditadura, só pra ficarmos no discurso positivista ao estilo da patologia social de Auguste Comte ou mesmo de Durkheim, sugiro a leitura dos 4 (ou um apenas) livros de Gaspari sobre documentos da ditadura. Entender um texto sem seu devido contexto é má-fé.

Por enquanto é só. Vamos ver, gente, um pouco menos de TV e ler um pouquinho mais pra que a esculhambação dos argumentos não ultrapasse índices absurdos de ignorância da história do Brasil. Seria bom deixar de ler Veja, Folha, Estadão, essas porcariazinhas legítimas. Não custa dar uma olhadinha em revistas como Carta Capital, Caros Amigos, blog’s como os de L. C. Azenha, Nassif e tantos outros, né?

P.S.: a propósito: Dilma vem aí!

Dilma e Agripino (DEM)

Jô e Dilma

Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda

(cap. 1, Fronteiras da Europa e cap. 6, Novos Tempos)

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=64518&preview=1&sid=91516121812417742941431532&k5=4F56653&uid=  

Não és tu, Brasil, Marcelo Rubens Paiva

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=730963&sid=91516121812417742941431532&k5=2F491754&uid=  

 

Élio Gaspari:

A Ditadura Envergonhada vol. 1

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=669255&sid=91516121812417742941431532&k5=35E0E336&uid=  

A Ditadura escancarada vol. 2

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=669257&sid=91516121812417742941431532&k5=2EAD5508&uid=  

A Ditadura Derrotada vol. 3

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=728517&sid=91516121812417742941431532&k5=C419F7E&uid=  

A Ditadura Encurralada vol. 4

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=759650&sid=91516121812417742941431532&k5=33561D11&uid=

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